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Usuario Anônimo 11/07/2026
Respondido por:
Dr. José Cerqueira Dantas
Dr. José Cerqueira Dantas CRM - 473

Dr. José,

Tenho 20 anos e, no início de 2025, consultei-me com um especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço para investigar um abaulamento na lateral direita do meu pescoço, associado a uma mancha avermelhada de nascença na mesma região.

Na consulta, a principal hipótese diagnóstica foi de hemangioma cavernoso. Para confirmação, foi solicitada uma ultrassonografia cervical com Doppler colorido. Após analisar o exame, o médico confirmou o diagnóstico de hemangioma cavernoso.

No entanto, permaneço com uma dúvida em relação a esse diagnóstico. A mancha avermelhada está presente desde o meu nascimento, porém o abaulamento na lateral e também na parte posterior do pescoço não existia durante a infância. Pelo que me lembro, ele começou a ficar perceptível apenas na adolescência, por volta dos 14 anos.

Por esse motivo, fico em dúvida se o quadro poderia corresponder a uma malformação arteriovenosa (MAV), já que, pelo que li, os hemangiomas costumam apresentar seu maior crescimento nos primeiros meses de vida, enquanto, no meu caso, esse aumento de volume só foi percebido anos depois.

Além disso, noto uma pulsação bastante intensa em alguns pontos do lado direito do pescoço. Atrás da orelha direita, sinto uma pulsação forte e bem evidente. Na região anterior direita do pescoço, consigo inclusive visualizar essa pulsação. Já na base do pescoço, próximo à clavícula direita, sinto um fluxo pulsátil bastante intenso, às vezes com a impressão de ser turbulento, e, ao pressionar o local, sinto certo incômodo.

Caso essa hipótese de MAV seja considerada, refiro-me a uma possível malformação localizada na região externa do pescoço (extracraniana), e não no interior do crânio.

Diante dessas características, gostaria de saber se existe a possibilidade de o diagnóstico ser, na verdade, uma malformação arteriovenosa e qual seria o especialista mais indicado para confirmar ou descartar essa hipótese e estabelecer o diagnóstico correto.

Também gostaria de saber se, caso seja realmente uma MAV, existe tratamento por embolização disponível pelo SUS em Teresina. E, em uma situação de emergência, como uma eventual ruptura de vasos nessa região, os hospitais públicos da cidade possuem estrutura e equipe para realizar o tratamento adequado?

Agradeço desde já pela atenção e orientação.

A sua dúvida é muito justificável. O fato de existir uma mancha desde o nascimento, associada a um aumento de volume apenas na adolescência, realmente faz pensar na possibilidade de uma malformação vascular congênita, e não obrigatoriamente em um hemangioma infantil clássico.

Isso não significa que seu caso seja uma MAV. Existem malformações venosas que podem apresentar exatamente esse comportamento e são muito mais frequentes do que as MAVs.

Se eu estivesse revisando esse caso apenas com base na história clínica, eu diria que antes de aceitar definitivamente o diagnóstico de “hemangioma cavernoso”, seria prudente confirmar qual tipo de anomalia vascular realmente existe. O método ideal será realizando uma ressonância magnética com contraste (e, se houver suspeita de lesão de alto fluxo, completar uma angiorressonância) interpretada por um radiologista experiente em malformações vasculares.


Qual especialista procurar?

Casos complexos como o seu exigem a formação de uma equipe multidisciplinar, formada por:

1.Cirurgião de Cabeça e Pescoço com experiência em malformações vasculares.

2.Cirurgião Vascular com experiência em malformações vasculares.

3.Radiologista Intervencionista, principalmente quando existe possibilidade de embolização.

Na prática, os casos assim costumam ser discutidos em conjunto entre esses especialistas.


Existe embolização pelo SUS em Teresina?

Sim. O SUS oferece embolização para malformações vasculares em centros habilitados em radiologia intervencionista. Em Teresina, hospitais públicos de maior complexidade, especialmente o Hospital Getúlio Vargas e o Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí, podem tratar pacientes com essa enfermidade, possuindo equipes de cirurgia vascular e radiologia intervencionista.


E se houver ruptura?

Felizmente a ruptura espontânea de uma MAV extracraniana cervical é muito rara. Portanto, não se inquiete com essa possibilidade.

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